Dossier de Imprensa

“ENTRE – LUGAR” É O NOVO ÁLBUM DE MANUEL DE OLIVEIRA

Conhecido como o guitarrista Ibérico, Manuel de Oliveira entrega às suas composições os reflexos de uma alma ibérica que lhe corre nas veias sem, contudo, deixar latente um respeito, uma veneração intemporal, pelas suas origens e tradições. Com um vasto percurso internacional, é um dos mais prolíficos guitarristas contemporâneos. Do seu currículo destaca-se a edição internacional do álbum “Amarte” e a presença em alguns dos mais importantes festivais europeus – “Emociona Jazz!!” (Espanha) e “Couleurs Jazz” (França), ao lado de nomes como Brad Mehldau, Chick Corea, Mike Stern e Richard Galliano, entre muitos outros. 

Manuel de Oliveira concebeu “Os Nossos Afetos”, espetáculo da cerimónia de abertura da Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, com Cristina Branco, Chico César e Rão Kyao. O mais recente “Ibéria Live”, com os conceituados músicos fundadores do Flamenco Jazz – Jorge Pardo e Carles Benavent, esgotou o CCB e Casa da Música em 2016. 

Manuel de Oliveira edita agora o álbum “Entre-Lugar”. Com partida a norte, “Entre-Lugar” é uma viagem musical em trio, com João Frade no Acordeão e Sandra Martins no Violoncelo.

Tem participações especiais do fadista Marco Rodrigues, do baterista Marito Marques e das Maria Quê. Um disco dedicado ao seu pai e mestre, o guitarrista Aprígio Oliveira e conta ainda com tributos a José Afonso e Paco de Lucia. 

Para “Entre-Lugar”, Manuel de Oliveira partiu da sua reconhecida identidade ibérica, acrescentando-lhe cores e sabores de outras paragens, cruzando o étnico com o urbano, a musica africana com o fado, o flamenco com o tango, numa vasta simbiose multicultural. A viola Braguesa desempenha nesta multiculturalidade um papel determinante, já anteriormente explorada no disco “Ibéria” mas aqui e agora com uma presença mais vincada e decisiva. A Braguesa, graças à sua sonoridade algures entre a dolência da Guitarra portuguesa e do exotismo da Mandola árabe, confere a “Entre-Lugar” o seu verdadeiro sentido, de identidade inquieta, sem preconceitos e ao mesmo tempo repleto de autenticidade de entre lugares da identidade portuguesa.

Entre-Lugar Making Of

ENTRE-LUGAR – Reflexão do Autor

A criação acontece-me como um ímpeto que me lança rumo ao desconhecido, que me impele a descentrar-me, a deslocar-me ao encontro do outro ou do mundo, que me retira de um certo exílio psicológico que é lugar de mim e aparentemente seguro, mas sem sentido. 

Entre – Lugar é o lugar do contacto com o diferente. É entre o meu mundo interno e o mundo externo, no lugar do contacto do limiar de mim com o limiar do outro, onde restauro a dualidade.

No Entre – Lugar reencontro o sentido, quer afetivo, onde estabeleço laços com o outro, quer estético, lugar do desconhecido onde o vazio de significados potencializa novos sentidos estéticos e me permite conciliar as minhas influências musicais sem receio da transgressão dos seus lugares originais.

Entre – Lugar não é um lugar estanque, é caminho, é viagem, fronteira que separa e limita e que ao mesmo tempo permite o contacto e aproxima. É lugar fecundo em movimento perpétuo que me devolve a Criação e o Amor.

Manuel de Oliveira

ENTRE-LUGAR – por Paula Cortes

Não é uma promessa a música de Manuel de Oliveira. Acontece darmos por nós num dia limpo, numa planície ampla com a joalharia do silêncio. Ele estende uma paisagem, mas não avança. Abre-se diante de nós um horizonte imediato, uma escadaria sem cansaço. São templos de indomáveis trepadeiras ciganas, judaicas, muçulmanas, de artistas e boémios.

Oferece-nos, como dádiva, os seus lugares íntimos, nem todos visitados, porventura, mas sabemos como isso pouco importa. Porque depois de Homens, a identidade não é só o lugar em que nascemos. É, também, onde nunca chegámos e ansiámos ir, sem precisar de explicar o porquê de ali pertencermos.

Estamos sempre entre, por chegar, por concluir. Manuel, como ninguém, faz música incompleta em sua completude — digo: a música acontece com o ouvinte. Aqui ninguém está só. O encontro é descoberta do que é mais próprio em cada um de nós. Somos chamados a existir.

Num sopro, somos levados ao tango, a fazer uma curva lentamente, conduzidos ao suspiro de Piazzolla, às portas do sol, fundas, das cuevas de Granada, ao calor e o flamenco. Somos levados à boca da guitarra de Paco de Lucia, às colheres de recomeços com sopa ancestral, ao fado no esqueleto português. Chegamos aos labirintos de Jorge Luís Borges sem a tralha dos dias, com o mapa dos desejos. Na viagem, entregamo-nos a despir o inautêntico para nos encontrarmos outros, com o outro. Aqui, Entre-Lugar, somos livres e leves. Vemos o carvão dos pensamentos tornar-se andorinha negra.

Paula Cortes

Manuel de Oliveira – Guitarras acústicas e Braguesa
Sandra Martins – Violoncelo (1,2,3,4,5,6)
João Frade – Acordeão (1,2,3,4,5,6)
Hélder Costa – Percussão e Programação Sonora (2,3)
Convidados especiais
Marco Rodrigues – Voz (6)
Marito Marques – Bateria e Percussões (4,5,6,7) 
José Silva (Zecas) – Baixo acústico (6)
Catarina Silva e Juliana Ramalho (“Maria Quê”) – coros  (7)

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