Depois de ter tido a oportunidade de conhecer Janita Salomé em torno do projecto Muxima e de hoje cultivarmos uma grande amizade que muito me orgulha, é pelas suas mãos que me apresenta a este belíssimo projecto. O desafio é, reunir compositores e arranjadores da “nova geração” para fazer uma intervenção sobre os temas escolhidos pelo Janita e pelo Vitorino para este disco, uns originais e outros tradicionais.
A mim “encomendaram-me produzir e arranjar os temas “Passarada”, (04) e “Multalinhas”, (09), arranjos que fiz com a ajuda do Carlos Garcia, pois as partituras continuam a ser uma “preguiça” para mim. Claro que para além da ajuda, o Carlos junta sempre a sua generalidade e magnifica sempre os trabalhos por onde coloca o seu gosto.

“…O Alentejo precisava de abrir as suas portas à aventura, sair de si mesmo, ouvir outros cantes, outras vozes, sem deixar os seus, já se vê… Mas não tenhamos dúvidas: o Alentejo de outros tempos envelheceu, como tudo, e morreu.

Ressuscitá-lo outra vez seria pura ilusão. Que as virtudes dos nossos antepassados e, toda a sua gloriosa tradição seja vivida e cantada ainda, no seu lindo cantochão, estamos de acordo. Mas tenho para mim que até ele o seu majestoso e misterioso cante, evoluirá, embora dentro dos moldes que o identificam com a nossa índole e a nossa história…”
(Padre António Marvão, 1988)

Da vontade de preservar e revitalizar o cante alentejano numa linguagem atual, que o torne ainda mais interessante esta marca da identidade cultural portuguesa, Vitorino e Janita Salomé assumiram o risco de compor modas alentejanas sobre textos escritos de António Lobo Antunes, bem como o de envolverem instrumentalmente modas antigas inscritas numa tradição sedimentada ao longo de gerações.

Share

No comments

You can be the first one to leave a comment.

Leave a Reply

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Carregando...