Manuel de Oliveira Solo

Tempos antes das plateias dos teatros se encherem de espectadores, existe, por estranho que possa parecer, quem dialogue com o silêncio que reside nesses espaços aparentemente vazios. Imaginando a investida dos sons dos passos, das locomoções até às cadeiras e dos burburinhos da surpresa dos encontros à chegada, cumprimentam o silêncio, iniciando um ritual que acalma a ânsia que recai sobre ele. Manuel de Oliveira coloca-se na ala primeira: a que fica entre o que se ouve e o que há para se ouvir. Dialogando com o silêncio, assegura-lhe compreensão e companhia no decurso do estrilho. Ora entre o silêncio e o espectador, ora entre o espectador e o som, face à afonia dos espaços, este compositor mune-se do seu instrumento feito voz e mostra-nos como conversa com o silêncio sem sequer abrir a boca. 

Poderíamos dizer, se o silêncio fosse selvagem – o que o é por vezes – que o Manuel é encantador de silêncios e que os nossos ruídos internos são domados pela sua conversa a solo. 

Texto de Márcio Silva 

Gravado ao vivo (live on tape), nos dias 28 e 29 de maio de 2020, no Centro Cultural Vila Flor, Guimarães, para a iniciativa “Emergência Cultural”, promovida pela Câmara Municipal de Torres Vedras e Teatro Cine. 

Manuel de Oliveira: Guitarras, braguesa e percussões
Câmaras: Eduardo Carronda Alexandre Perdigão
Realização: Alexandre Perdigão 
Desenho de luz: Light design Ricardo Santos
Produção áudio: Hélder Costa
Assistente de produção áudio: Paulo Ribeiro, João Guimarães
Grafismo: Alexandra Xavier
Produção executiva: Manuel de Oliveira Pedro Nunes
Assistente de produção executiva: Catarina Silva
Produção Musical: Manuel de Oliveira Hélder Costa
Produzido por: Portugal Music 360 

Apoio:
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães A Oficina