Entre-Lugar

Manuel de Oliveira

João Frade & Sandra Martins

Tour 2021

Manuel de Oliveira está de volta aos palcos para apresentar “Entre-Lugar”. 

Na sequencia da paragem forçada de cerca de seis meses devido à pandemia Covid19, Manuel de Oliveira entrou intensivamente em estúdio para gravar o seu quarto álbum de originais. 

“Entre – Lugar” é uma viagem musical em trio, com João Frade no Acordeão e Sandra Martins no Violoncelo. 

Tem ainda participações especiais do fadista Marco Rodrigues, do baterista Marito Marques e das Maria Quê. 

Um disco dedicado ao seu pai e mestre, o guitarrista Aprígio Oliveira e conta ainda com tributos a José Afonso e Paco de Lucia. 

Para “Entre-Lugar”, Manuel de Oliveira partiu da sua reconhecida identidade ibérica, acrescentando-lhe cores e sabores de outras paragens, cruzando o étnico com o urbano, a música africana com o fado, o flamenco com o tango, numa vasta simbiose multicultural. 

A viola Braguesa desempenha nesta multiculturalidade um papel determinante, já anteriormente explorada no disco “Ibéria” mas aqui e agora com uma presença mais vincada e decisiva. A Braguesa, graças à sua sonoridade algures entre a dolência da Guitarra portuguesa e o exotismo da Mandola árabe, confere a “Entre-Lugar” o seu verdadeiro sentido, de identidade inquieta, sem preconceitos e ao mesmo tempo repleto de autenticidade de entre os lugares da identidade portuguesa. 

Em concerto, Manuel de Oliveira apresenta-se em trio com João Frade e Sandra Martins para tocar “Entre – Lugar” e revisitar ainda alguns dos temas de “Ibéria” e “Amarte”. 


ENTRE-LUGAR

Making Of

ENTRE-LUGAR 

Reflexão do Autor

A criação acontece-me como um ímpeto que me lança rumo ao desconhecido, que me impele a descentrar-me, a deslocar-me ao encontro do outro ou do mundo, que me retira de um certo exílio psicológico que é lugar de mim e aparentemente seguro, mas sem sentido. 

O Entre – Lugar é o lugar do contacto com o diferente. É entre o meu mundo interno e o mundo externo, no lugar do contacto do limiar de mim com o limiar do outro, onde restauro a dualidade.

No Entre – Lugar reencontro o sentido, quer afetivo, onde estabeleço laços com o outro, quer estético, lugar do desconhecido onde o vazio de significados potencializa novos sentidos estéticos e me permite conciliar as minhas influências musicais sem receio da transgressão dos seus lugares originais

O Entre – Lugar não é um lugar estanque, é caminho, é viagem, fronteira que separa e limita e que ao mesmo tempo permite o contacto e aproxima. É lugar fecundo em movimento perpétuo que me devolve a Criação e o Amor.”

Manuel de Oliveira


ENTRE-LUGAR

por Paula Cortes

Não é uma promessa a música de Manuel de Oliveira. Acontece darmos por nós num dia limpo, numa planície ampla com a joalharia do silêncio. Ele estende uma paisagem, mas não avança. Abre-se diante de nós um horizonte imediato, uma escadaria sem cansaço. São templos de indomáveis trepadeiras ciganas, judaicas, muçulmanas, de artistas e boémios. 

Oferece-nos, como dádiva, os seus lugares íntimos, nem todos visitados, porventura, mas sabemos como isso pouco importa. Porque depois de Homens, a identidade não é só o lugar em que nascemos. É, também, onde nunca chegámos e ansiámos ir, sem precisar de explicar o porquê de ali pertencermos. 

Estamos sempre entre, por chegar, por concluir. Manuel, como ninguém, faz música incompleta em sua completude — digo: a música acontece com o ouvinte. Aqui ninguém está só. O encontro é descoberta do que é mais próprio em cada um de nós. Somos chamados a existir. 

Num sopro, somos levados ao tango, a fazer uma curva lentamente, conduzidos ao suspiro de Piazzolla, às portas do sol, fundas, das cuevas de Granada, ao calor e o flamenco. Somos levados à boca da guitarra de Paco de Lucia, às colheres de recomeços com sopa ancestral, ao fado no esqueleto português. Chegamos aos labirintos de Jorge Luís Borges sem a tralha dos dias, com o mapa dos desejos. Na viagem, entregamo-nos a despir o inautêntico para nos encontrarmos outros, com o outro. Aqui, Entre-Lugar, somos livres e leves. Vemos o carvão dos pensamentos tornar-se andorinha negra. 

Paula Cortes

Manuel de Oliveira – Guitarras acústicas e Braguesa
Sandra Martins – Violoncelo (1,2,3,4,5,6)
João Frade – Acordeão (1,2,3,4,5,6)
Hélder Costa – Percussão e Programação Sonora (2,3)
Convidados especiais
Marco Rodrigues – Voz (6)
Marito Marques – Bateria e Percussões (4,5,6,7) 
José Silva (Zecas) – Baixo acústico (6)
Catarina Silva e Juliana Ramalho (“Maria Quê”) – coros  (7)

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